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Oxossi

Òṣóòsì (Iorubá)

Títulos e Alcunhas O Rei de Ketu, O Grande Caçador, O Provedor, São Sebastião (Rio), São Jorge (Bahia), Orixá da Fartura e do Conhecimento.
📅
Celebrado em 20 de Janeiro - Dia de São Sebastião (Sudeste e Sul) ou Corpus Christi (Bahia).
🛡️
Invocado Para Fartura, prosperidade, inteligência, estratégia, foco, precisão, busca por conhecimento, sustento, caça de oportunidades, proteção.
📍
Locais de Devoção Terreiros de Candomblé e Umbanda em todo o Brasil (especialmente Salvador e Rio de Janeiro), Cidade de Ketu (Benim).
🇧🇷
Conhecido no Brasil como Oxóssi, Odé, Òṣóòsì, Alaketu.

História e Significado

A FLECHA QUE UNE O CÉU E A TERRA. Talvez o que mais encante quem se aproxima da Umbanda e das tradições de matriz africana seja a quebra da distância entre o Homem e o Divino. Fomos educados a buscar um Deus que está "lá no alto", distante. A sabedoria ancestral nos convida a ver diferente: nós não estamos "na" natureza, nós somos parte dela. E o divino pulsa na seiva, na pedra e no vento. Os Orixás não são "deuses rivais". Eles são manifestações da Inteligência do Criador na natureza. Assim como a luz branca passa por um prisma e se revela em várias cores, Deus se manifesta através de forças vivas. Oxóssi é essa manifestação divina na vibração das Matas. Ele não é o "homem selvagem", mas o Orixá da busca, do conhecimento e da capacidade de garantir a sobrevivência com inteligência. O Sincretismo: A Fé que Resiste (Não a que se Submete). Para entender Oxóssi no Brasil, precisamos olhar para o passado com profunda empatia. Quando milhões de seres humanos foram arrancados da África, trouxeram em seus corações uma fé complexa e válida. Proibidos de cultuar seus reis e divindades, usaram uma estratégia genial de sobrevivência: o Sincretismo. Eles não trocaram seus deuses; eles os "esconderam" dentro das imagens católicas para protegê-los da intolerância. Ao rezar diante de um santo, o africano conectava-se com a essência de seu Orixá. Foi um ato de resistência cultural que gestou a espiritualidade brasileira, onde as virtudes dos santos e a força dos Orixás se entrelaçaram indissoluvelmente. A Confusão dos Santos: Jorge, Sebastião e a Geografia da Fé. Oxóssi protagoniza um caso curioso de "identidade dupla" no Brasil. Dependendo do estado, ele veste uma face católica diferente. No Rio de Janeiro (São Sebastião): A conexão foi histórica e visual. Sebastião foi martirizado por flechas — o símbolo sagrado de Odé (o Caçador). Além disso, a Batalha que fundou o Rio (Uruçumirim) ocorreu no dia do santo e foi decidida por flechas indígenas. A flecha uniu o Santo, o Índio e o Orixá . Na Bahia (São Jorge): Em Salvador, a lógica foi mitológica. São Jorge é o cavaleiro que mata o Dragão. Oxóssi é o Caçador Supremo que domina as feras. Ambos são "matadores de monstros" e protetores da comunidade . Nota: Como Oxóssi assumiu o lugar de Jorge na Bahia, o Orixá da Guerra (Ogum) foi sincretizado lá como Santo Antônio. O Rei de uma Civilização Real (A "Grécia Africana") Muitos imaginam os mitos africanos num passado tribal vago, mas a história de Oxóssi tem endereço físico. Ele é o Patrono e Rei (Alaketu) de Ketu, uma cidade-estado que existe até hoje no atual Benim. Os Iorubás, povo de onde vem este culto, construíram uma civilização urbana sofisticada, comparável às cidades-estado da Grécia Antiga, com metalurgia avançada, comércio e filosofias complexas. Ketu era uma dessas capitais. Oxóssi, portanto, chegou ao Brasil não apenas como uma divindade da natureza, mas com status de Rei e civilizador. Por que Oxóssi hoje é "Mais Brasileiro" que Africano? Aqui reside um fato histórico fascinante e trágico. No século XIX, o Reino de Ketu foi devastado por guerras contra o Reino do Daomé. A cidade foi destruída e sua elite — sacerdotes, nobres e iniciados — foi massivamente escravizada e enviada ao Brasil, especialmente para a Bahia. Isso criou um fenômeno único: enquanto na África o culto a Oxóssi declinou devido à dispersão e às novas religiões, no Brasil a "Corte de Ketu" foi reconstruída dentro dos terreiros. O Brasil tornou-se o grande guardião da memória deste Rei. Hoje, Oxóssi vive mais intensamente nas nossas matas e templos do que em seu solo de origem. A Flecha Única: Uma Filosofia de Vida. A lenda fundamental de Oxóssi ensina que qualidade vence quantidade. Conta-se que as Iyami (as Grandes Mães Ancestrais) enviaram um pássaro gigante para cobrir o reino de sombras e miséria. O Rei convocou os melhores caçadores: Os primeiros atiraram 50, 40 e 20 flechas. Erraram todas, confiando apenas na força bruta e no excesso . Oxóssi tinha apenas uma flecha. Mas ele tinha sabedoria. Antes de atirar, sua mãe realizou uma oferenda para acalmar as energias espirituais das Feiticeiras. Foi essa harmonia com o sagrado feminino que permitiu o sucesso. Oxóssi esperou, concentrou-se e disparou seu único tiro (Otokan Soso). O pássaro caiu. A lição: A ansiedade de "atirar para todo lado" não resolve problemas. A solução vem do foco, do respeito ao invisível e da precisão. Símbolos e Poesia. Dois objetos resumem sua essência: O Ofá (Arco e Flecha): Símbolo da estratégia. Diferente da espada, a flecha exige cálculo, silêncio e inteligência. O Irukerê (O Cetro): Um espanta-moscas sagrado que serve para "varrer" espíritos e limpar o ambiente, mostrando seu domínio sobre o mundo visível e invisível. A tradição oral preserva sua força nos Orikis (poemas sagrados): Òṣóòsì! Awo Òde Ìjà Pìtìpà. Ọmọ ìyá Ògún Oníré. O fi ofa kan soso pa igba ẹranko. O t'ina bo'le o nja ninu igbo. ("Oxóssi! O mistério do Caçador da luta violenta. Filho da mãe de Ogum. Aquele que usa uma única flecha para abater a caça. Ele acende o fogo na casa (traz conforto), mas luta dentro da floresta.") "Aonde Oxóssi é o Deus...": A Majestade das Matas. Você talvez já tenha ouvido, em algum clássico da música sertaneja, um verso que celebra essa conexão divina com a floresta. Na canção "A Majestade, o Sabiá", a compositora Roberta Miranda descreve o sentimento exato de quem entra no domínio deste Orixá: "Tô indo agora tomar banho de cascata Quero adentrar nas matas onde Oxóssi é o Deus, Aqui eu vejo plantas lindas e selvagens Todas me dando passagem Perfumando o corpo meu" Essa estrofe popular resume a teologia profunda de Ketu: a mata não é um lugar de medo, mas um santuário onde a divindade ("Oxóssi é o Deus") se revela na beleza selvagem e no perfume das plantas. Ele é o porteiro que permite que a natureza nos dê passagem e nos revigore. Conclusão Trazer a representação de Oxóssi para sua vida é honrar este arquétipo de fartura e foco. É um lembrete diário de que não estamos separados da natureza — somos parte dela. E de que, com paciência, estratégia e respeito ao sagrado, uma única flecha certa é capaz de transformar a realidade.

Como Identificar

Figura masculina altiva, arco e flecha (Ofá) na mão esquerda, cetro (Irukerê) na mão direita, saiote com cores azul turquesa/verde, capacete ou adorno de cabeça com plumas, expressão de foco e vigilância.
Okê Arô, Oxóssi! Grande Senhor das Matas e da Vida. Peço a vossa proteção e a vossa inteligência. Que eu tenha a paciência do caçador para esperar o momento certo, e a precisão de vossa flecha única para alcançar meus objetivos. Afastai de mim a ansiedade e o desperdício de energia. Dai-me a fartura de saúde, a riqueza de sabedoria e o alimento para o corpo e para a alma. Que a vossa mata me cubra de paz e que nunca me falte a caça que sustenta a vida. Okê Arô

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